Lost planet: Extreme condition foi um interessante, impressionante e, por vezes, equivocado hit de primeira geração do Xbox 360.
O game, produzido pela Capcom, colocava o jogador em um planeta congelado enfrentando uma raça de alienígenas selvagens, os Akrid, alguns parecidos com répteis, outros com insetos e até vermes gigantes. A jogabilidade era estranha, ainda que sólida, o game ficava repetitivo e a inteligência artificial dos ocasionais inimigos era desequilibrada, mas a sensação de desolamento em um planeta hostil, aliada aos belos gráficos (para os padrões de 2006) criavam uma experiência divertida, um Tropas estrelares no gelo. Lost planet 2 descarta muito do que deu certo, não corrige quase nada que deu errado e quando adiciona algo, faz de forma equivocada.
O gelo que cobria o planeta no primeiro game derreteu e, no lugar, surgiram desertos desoladores e selvas densas. O foco do game acompanha as mudanças: em vez de vagar sozinho em um planeta que quase te congela até a morte, o foco é enfrentar Akrids e facções rivais, ao lado de amigos ou da inteligência artificial. A jogabilidade não mudou e sustenta os mesmos erros e acertos de 2004. A Capcom também adicionou poucas armas novas para o arsenal, o que mostra o trabalho preguiçoso na hora de desenvolver o game.
No modo singleplayer, a inteligência artificial incompetente só deixa o jogador na mão. Os inimigos também sofrem com a programação deficiente e só se sustentam em grandes números. É comum atirar em um adversário e ver que outro, ao seu lado, nem se mexe buscando cobertura. Apostar em combates contra humanos como foco principal do game empobreceu a experiência que era caçar os imprevisíveis Akrid.
Os alienígenas dão sim as caras, mas definitivamente estão em segundo plano, mesmo sendo os responsáveis pelas partes mais divertidas do game. Lost planet 2 também introduz os Akrid categoria G, gigantescos monstros alienígenas que atuam como chefes de fase. São divertidos, por vezes impressionantes, mas basicamente são chefes de fase que aparecem em games há quase 30 anos. Alguns nem são tão grandes assim.
Os gráficos são trágicos. As texturas, de perto, não se seguram, as animações se engasgam e efeitos datados passeiam pela tela, ilustrando as apáticas missões. A direção artística é outra que piorou consideravelmente desde o primeiro game. As roupas dos soldados beiram o ridículo em muitos aspectos e a estética anime, em sua vertente mais irritante, se infiltrou no game. Os Akrid se salvam, exibindo alguma criatividade, na fusão de animais terrestres para criar criaturas verdadeiramente alienígenas. Os mechs, que deram as caras no primeiro game, retornam sem muitas novidades.
A história é uma bagunça. A ação não se sustenta sozinho e os personagens sem rosto controlados pelo jogador não conquistam simpatia alguma. É impossível se importar com qualquer coisa com uma narrativa fragmentada e mal explicada como a de Lost planet 2. Em um momento, o jogador controla um esquadrão mascarado em uma selva e, em um momento seguinte, um outro esquadrão mascarado no deserto. Ainda que o primeiro game não fosse ganhar nenhum prêmio por sua trama, pelo menos ele se ancorava em uma história de vingança nos moldes mais tradicionais possíveis.
O game tem um modo multiplayer competitivo que sofre dos mesmos problemas da experiência para um jogador nos gráficos e design. Poucas armas, jogabilidade estranha e modos reciclados de outros games também tornam a experiência facilmente esquecível.
Ainda que o modo cooperativo tire Lost planet 2 da lixeira, é impossível perdoar o lançamento de um game que seria decente em 2006 em pleno ano de 2010. A indústria mudou. Mesmo que com amigos caçar gigantescos Akrid seja divertido, as mecânicas jurássicas ainda estão lá, assim como os gráficos fracos. Lost planet 2, ao sair da geladeira, ficou perdido, e entrega uma experiência abaixo até mesmo de seu predecessor.

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